A nova Rodoviária da Bahia – Terminal Salvador abriu as portas em 20 de janeiro deste ano e, com ele, a capital baiana ganhou um equipamento que pouco lembra o modelo tradicional de rodoviária. Operado pela NTRS, empresa do Grupo Sinart, o terminal nasceu dentro de um Complexo Multimodal no bairro de Águas Claras, na capital baiana, e inclui conexão ao metrô, ao transporte coletivo urbano e à futura linha de Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT). O projeto representou um investimento de mais de R$ 300 milhões. São 127.235 m² distribuídos em três pavimentos: desembarque no térreo, embarque no primeiro andar e bilheterias no nível superior. A lógica verticalizada eliminou o conflito de fluxos, que travava a antiga rodoviária na Avenida ACM.
As viações agora contam com 41 plataformas para embarque e 24 para o desembarque. Para o público, além da nova estrutura, novos serviços foram disponibilizados, como estacionamento rotativo com 847 vagas, guarda-volumes 24 horas, serviço de banho, praça de alimentação, áreas comerciais, posto da PolíA cia Militar e uma unidade do SAC. O terminal também receberá, em breve, uma policlínica e uma academia de ginástica. Dois elevadores panorâmicos já estão em operação (um terceiro está em implantação) e as escadas rolantes facilitam o trânsito e dão acessibilidade. O projeto ainda busca as certificações EDGE Advanced e LEED Silver, com economia projetada de 41% de energia e 28% de água.
“Mais do que uma rodoviária, o terminal foi pensado como um equipamento de mobilidade, experiência e serviços, que oferece um nível de conforto, integração e conveniência comparável aos grandes equipamentos do país”, explica Adevaldo Santos, gerente-geral do terminal. Nos primeiros quatro meses, o espaço registrou aumento de cerca de 25% no volume de embarcados em relação ao mesmo período de 2025.
A Sinart chama o conceito de rodoshopping: um espaço de mobilidade, que serve também como praça de serviços, comércio e convivência para moradores e trabalhadores da região. O movimento tem eco imediato. No dia 14 de maio, a Rota Transportes inaugurou sua sala VIP na rodoviária. O espaço climatizado reúne poltronas, TVs, sanitários, espaço para coworking e água mineral. Para Paulo Carletto, diretor-executivo da empresa, a entrega está alinhada ao compromisso da Rota Transportes (que integra o Grupo Brasileiro, com 30 anos de atuação) de investir continuamente em segurança, conforto, sustentabilidade e inovação.
Do outro lado do país, a Socicam, uma das grandes gestoras de terminais rodoviários, anuncia investimentos nos três maiores terminais de São Paulo – Tietê, Barra Funda e Jabaquara. A reforma inclui sanitários completamente renovados, integração intermodal com o metrô, elevadores e sistema viário com acessibilidade, novas escadas rolantes, nova fachada, estacionamento com carregadores para veículos elétricos e instalação de energia solar. Para Rodrigo Fernandes Toledo, diretor de Operações Rodoviárias da empresa, o movimento reflete uma mudança estrutural no setor. O executivo detalha os pilares que guiam essa transformação dos terminais em entrevista nas próximas páginas.
Nos terminais paulistanos é rotina registrar um grande volume de pessoas, que chega ao espaço não para embarcar, mas para acessar lojas, praça de alimentação, sanitários ou o serviço de banho. “Esse comportamento nos trouxe uma leitura: na prática, os terminais já são espaços de convivência e serviços e nosso papel é estar à altura dessa demanda”, afirma Rodrigo. Só no Tietê, maior terminal latino-americano em movimentação, a Socicam já opera sete salas VIP e projeta expandir o modelo. A empresa administra outros terminais rodoviários no país levando o mesmo conceito de centros de serviços, além de um terminal em Puerto Montt, no Chile, empreendimentos aeroportuários e aquaviários no Brasil.
Nesse cenário, terminais e transportadoras formam uma cadeia cada vez mais conectada e a modernização da infraestrutura deixa de ser tendência e passa a ser o caminho.
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