
Acompanhar a LAT.BUS ao longo de sucessivas edições permite perceber, de forma muito concreta, como o transporte rodoviário vem se transformando. Neste ano, em sua maior versão, a feira reuniu cerca de 200 expositores, público de mais de 30 mil visitantes e representantes de 40 países, revelando não apenas a diversidade e a força de toda a cadeia, mas também a disposição para investir, inovar e continuar avançando.
O tamanho da feira e a quantidade inédita de lançamentos traduzem a pujança de uma indústria que nunca para de se reinventar. Novos chassis, motores, carrocerias e soluções tecnológicas estiveram entre os destaques apresentados, evidenciando a amplitude de um ecossistema que se torna cada vez mais sofisticado, seguro, ágil e eficiente.
É particularmente interessante observar que os avanços extrapolam os limites físicos dos veículos e alcançam, de maneira cada vez mais abrangente, os sistemas, processos e soluções que conferem sustentação à operação. A feira reuniu empresas dos mais distintos segmentos, mas a área de tecnologia se destacou pelo crescimento na quantidade de fornecedores participantes. Esse movimento diz muito sobre o momento que vivemos, em que a tecnologia deixou de ser compreendida como um apêndice e passou a ocupar um papel de protagonismo. É o futuro do transporte já em curso, hoje.
Além de vitrine tecnológica, a LAT.BUS tornou-se, simultaneamente, um ambiente de conexões, negócios e conhecimento, reunindo diferentes elos da cadeia para compartilhar experiências e debater caminhos para ampliar a competitividade e a capacidade de resposta do transporte rodoviário diante de um cenário de aceleradas e constantes mudanças.
Tão simbólica quanto a expansão da feira foi a sua capacidade de, ao reunir num mesmo espaço toda a cadeia produtiva, dar visibilidade à relevância de um setor que é referência mundial e vetor de desenvolvimento do Brasil. Um setor extremamente estratégico, que não apenas acompanha as transformações, mas participa ativamente delas, inovando e olhando para o futuro, apesar dos desafios.
Essa dimensão se revela na capilaridade do transporte rodoviário regular de passageiros, único modal capaz de conectar, com regularidade, mais de 5 mil municípios brasileiros. Anualmente, as empresas regulares transportam mais de 100 milhões de passageiros, movimentando um extenso ecossistema e gerando, em média, 15 empregos para cada ônibus em circulação.
Mas, o seu impacto ultrapassa a operação. Ao aproximar cidades, mercados e pessoas, o setor sustenta atividades econômicas como o turismo regional, amplia o acesso a oportunidades e contribui para a integração de um país de dimensões continentais.
A importância desse serviço também se expressa na percepção dos passageiros. Com índice de aprovação de 80%, o transporte rodoviário é o serviço público mais bem avaliado do país, evidenciando o reconhecimento da população quanto à importância de uma rede presente, assídua, e um serviço de qualidade. É, portanto, um verdadeiro gigante de rodas que conecta pessoas, viabilizando o direito constitucional de ir e vir dos brasileiros, movimenta negócios e impulsiona o desenvolvimento econômico e social.
Ao percorrer os estandes e espaços da LAT.BUS, foi possível observar diversas demonstrações de otimismo. Isso não significa, porém, ausência de desafios. O setor enfrenta adversidades importantes, especialmente relacionadas à dificuldade de obtenção de crédito e, por isso, seria até compreensível encontrar um setor retraído. O que vimos, no entanto, foi o contrário. Foi coragem para agir e capacidade de continuar acreditando mesmo diante de um ambiente desafiador.
Essa confiança, contudo, precisa encontrar condições para se transformar em investimento. A renovação das frotas, a incorporação de novas tecnologias e a transição para soluções de menor impacto ambiental exigem capital, planejamento e horizonte de longo prazo. Não basta que a indústria esteja preparada para oferecer novos produtos e soluções; é necessário que operadores tenham condições de incorporá-los.
Nesse contexto, a previsibilidade tornou-se tão importante quanto a inovação. Empresas precisam de segurança jurídica para investir, crédito em condições compatíveis com o ciclo de renovação dos ativos e políticas públicas capazes de oferecer horizonte para decisões que produzem resultados ao longo de muitos anos.
A LAT.BUS 2026 mostrou que existe disposição para investir e inovar. Mostrou também que há uma indústria preparada, fornecedores cada vez mais especializados e operadores atentos às transformações da mobilidade. Para que essa capacidade continue se desenvolvendo e se traduza em investimentos, inovação e melhoria dos serviços, o setor precisa de condições adequadas para avançar. O Brasil se move de ônibus e cabe a todos nós garantir que esse movimento continue.
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