Abrati

Abrati participa de seminário que debateu os riscos do transporte clandestino no país

Fotos: Edy Fernandes

A diretora-geral da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Interestadual de Passageiros (Abrati), Letícia Pineschi, participou no último dia 26, no Auditório do Clube dos Oficiais da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), do 1º Seminário Mobilidade com Responsabilidade, realizado pela Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado de Minas Gerais (Fetram), que reuniu as principais autoridades da segurança pública, órgãos reguladores e especialistas para traçar estratégias de combate ao transporte irregular e garantir a proteção do cidadão.

Com o tema “Transporte seguro, cidadão protegido”, o encontro promoveu um debate multissetorial sobre os riscos do transporte clandestino, que hoje se apresenta sob diversas formas, desde veículos de passeio em rodovias até plataformas digitais de ônibus que operam à margem da regulamentação.

Pineschi, que mediou o painel “Segurança em Pauta: A “Roleta Russa” do Clandestino, enfatizou que a responsabilidade do setor transcende as planilhas financeiras. “O valor do que transportamos nos ônibus das empresas associadas à Abrati não pode ser contabilizado em números de passageiros ou de passagens vendidas, nem mesmo pelo faturamento das empresas. Nós transportamos vidas. Precisamos compilar dados e estatísticas para estimular um debate crucial para todo o setor: quais são as medidas e providências a serem tomadas para realmente aumentar a segurança viária de nossos passageiros nas rodovias do Brasil, federais ou estaduais”, destacou a diretora-geral.

“Este seminário prova que a segurança não se faz de forma isolada. Ao sentarmos à mesma mesa com a PRF, a Polícia Militar e os órgãos de gestão, mostramos que o combate ao clandestino não é uma reserva de mercado, mas uma barreira necessária contra a precarização da vida. Não podemos permitir que a tecnologia seja usada como salvo-conduto para o transporte inseguro; ela deve servir, como vimos aqui hoje, para qualificar a fiscalização e proteger quem mais importa: o passageiro”, finalizou.
Durante os painéis, autoridades da Polícia Militar (BPTRAN e BPMRV), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) foram unânimes: o transporte ilegal não é apenas uma questão econômica, mas de saúde pública. Dados e vídeos apresentados mostraram veículos sem manutenção, motoristas exaustos e a ausência de apólices de seguros de passageiros, transformando viagens irregulares em riscos fatais que sobrecarregam o SUS e destroem famílias.

Fotos: Edy Fernandes

Mediador jurídico do evento, o jurista e advogado Flávio Unes afirmou que a distinção entre modelos de negócio legítimos e o transporte clandestino disfarçado é fundamental para a preservação do sistema público.

“A segurança jurídica e o cumprimento das normas regulatórias são as únicas garantias de que o passageiro não será lesado. O combate ao transporte irregular não é apenas uma questão de fiscalização de rua, mas de aplicação rigorosa da legislação para evitar que a concorrência desleal destrua a sustentabilidade do transporte regular, que é aquele que efetivamente garante a continuidade do serviço e a proteção ao consumidor”, reforçou Unes.Para o presidente da Fetram, Rubens Lessa Carvalho, o sucesso do evento reafirma a necessidade de uma agenda comum entre o setor produtivo e o poder público. “Este seminário não é um encerramento, mas o início de uma mobilização permanente. O transporte clandestino vende uma economia ilusória que, na prática, pode custar a vida do passageiro. Nossa missão aqui foi mostrar que a segurança não aceita improvisos”, afirmou Rubens Lessa.

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