Demanda aquecida e alta das tarifas aéreas reforçam a expectativa para um dos períodos de maior procura por viagens no Brasil
O mês de julho ocupa um lugar especial no calendário do transporte rodoviário de passageiros. Com as férias escolares movimentando famílias de norte a sul do país, o período representa uma oportunidade concreta de ampliação de mercado e fidelização de clientes. Para 2026, as associadas à Abrati já se organizam para atender a uma demanda acima da média, com planejamento iniciado meses antes do embarque do primeiro passageiro.
O Grupo JCA, que reúne marcas como Cometa, Catarinense e Autoviação 1001, projeta crescimento de cerca de 8% na demanda em relação a julho de 2025. São Paulo segue como principal polo de origem e destino, com as rotas São Paulo–Belo Horizonte, São Paulo–Rio de Janeiro, São Paulo–Curitiba e Florianópolis–São Paulo entre as mais procuradas, além de Foz do Iguaçu–Rio de Janeiro e Cabo Frio–São Paulo.
Na Gontijo, embora as vendas para o período ainda não estivessem abertas na data de fechamento desta edição, as projeções se baseiam no comportamento histórico das férias escolares. As rotas de maior movimento conectam os grandes centros do Sudeste – São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte — ao Nordeste, além do forte fluxo intermunicipal dentro de Minas Gerais.
Para a Viação Águia Branca, a expectativa é de demanda cerca de 30% acima de um mês regular. Os destinos de maior movimento são o Sul da Bahia, Salvador e Rio de Janeiro, com crescimento também no Vale do Aço e Curitiba. Thiago Juffo, diretor de Negócios da empresa, destaca que o aquecimento começa antes: “A partir do dia 20 de junho, as linhas já começam a ter um impacto importante na procura, com aumento próximo de 30% em relação a períodos normais por conta dos festejos juninos, especialmente na Bahia, Sergipe e Pernambuco.”
Reforço de frota, equipes e planejamento
O denominador comum entre as três empresas é o planejamento antecipado que envolve todas as áreas da operação. O Grupo JCA distribui horários extras estrategicamente, intensifica a manutenção preventiva e revisa escalas de motoristas sem comprometer os períodos de descanso. A Gontijo adota abordagem semelhante. “O principal desafio é gerenciar fatores externos imprevisíveis, como o tráfego intenso e as condições das rodovias na alta temporada. Para mitigar isso, utilizamos tecnologia de monitoramento em tempo real da frota e logística rigorosa de escalas. O foco é manter a segurança em primeiro lugar, sem comprometer a qualidade do serviço”, explica Fernanda Gontijo, gestora comercial da empresa. Na Águia Branca, que opera com mais de 700 veículos, Thiago Juffo reforça que a chave está na previsibilidade: “Quanto melhor conseguimos antecipar o comportamento da demanda, melhor planejamos frota, horários, equipes e atendimento.”
Tarifas aéreas elevadas favorecem o rodoviário
Com preços mais elevados, uma parcela crescente de passageiros tem revisado suas opções, especialmente em rotas de curta e média distância. O Grupo JCA nota a chegada de passageiros que antes priorizavam o avião e que passam a valorizar conforto, conectividade a bordo e programas de fidelidade. A Gontijo percebe o mesmo: o serviço de Leito torna-se altamente competitivo para um público exigente, que prioriza custo-benefício, segurança e pontualidade. A disputa por esse passageiro começa antes das férias. As três empresas investem em campanhas nos canais digitais — redes sociais, apps, site e WhatsApp —, com incentivo à compra antecipada e vantagens dos programas de fidelidade. Thiago Juffo, finaliza: “o investimento é estratégico pois o passageiro quer resolver a compra de forma simples, rápida e segura, e com vantagem econômica se comprar e planejar antes.”
Mesmo com todo o preparo, variáveis como tráfego intenso e concentração de embarques nos terminais exigem resiliência em tempo real. Mas é justamente nesse cenário de alta pressão que o transporte rodoviário regular mostra sua força: capilaridade, frequência e confiabilidade que nenhum outro modal consegue oferecer na mesma escala. Julho não é só um desafio operacional. É uma vitrine. E as associadas à Abrati chegam prontas para aproveitá-la.
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