Abrati

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O setor de transporte de passageiros no Brasil passou por transformações profundas nas últimas cinco décadas, acompanhando mudanças econômicas, tecnológicas, sociais, demográficas e regulatórias. Este registro que faço por ocasião de minha retirada da cena transportista, busca apresentar os principais aspectos temporais, estruturais e operacionais que moldaram o transporte coletivo de passageiros no país desde meados da década de 1980 até os dias atuais.

O início da minha atividade profissional foi despretensioso, quase casual. Não havia grandes planos, metas bem definidas ou a sensação de estar começando algo importante. Era apenas uma oportunidade aceita mais pela necessidade do que por vocação, um primeiro passo dado sem muita consciência do caminho que se abriria adiante. Nos primeiros dias, tudo parecia previsível: tarefas repetitivas, aprendizado básico e a insegurança típica de quem ainda observa mais do que age. Assim foi minha chegada ao TRIP, pela Viação Itapemirim, no início dos anos 1970, quando já cursava a Faculdade de Direito.

Com o tempo, porém, vieram as surpresas. Pequenas responsabilidades se transformaram em desafios reais, e situações inesperadas exigiram decisões rápidas, criatividade e coragem. Pessoas que antes eram apenas colegas tornaram-se referências, mentores, subordinados e até amigos. Descobri habilidades que não sabia possuir e interesses que jamais havia considerado. O que começou quase por acaso passou a fazer sentido, moldando não só minha trajetória profissional, mas também minha forma de ver o trabalho e a mim mesmo.

Hoje, ao olhar para trás, percebo que aquele começo simples foi essencial. Foi justamente a falta de expectativas que abriu espaço para o aprendizado genuíno e para as surpresas que deram significado à experiência. O que parecia apenas um início qualquer acabou se tornando um ponto de virada. Desse período devo reconhecer e agradecer dirigentes e companheiros do Grupo Itapemirim, maior escola que tive, mesmo tendo frequentado bons institutos de ensino.

Ao longo da trajetória profissional, a evolução da carreira foi marcada por aprendizado contínuo, adaptação a novos desafios e desenvolvimento progressivo de competências técnicas e comportamentais. O início da carreira foi caracterizado pela busca de conhecimento prático, compreensão dos processos organizacionais e construção de uma base sólida de responsabilidade, ética e comprometimento com resultados.

Nos primeiros anos, as experiências estiveram voltadas principalmente à execução de tarefas operacionais, permitindo o domínio das rotinas da função e o desenvolvimento de habilidades fundamentais, como organização, comunicação, trabalho em equipe e resolução de problemas. Esse período foi essencial para compreender a importância da qualidade, do cumprimento de prazos e do alinhamento com os objetivos da organização. Foi também o de saber aproveitar as oportunidades que, por mais desafiadoras, nunca as reneguei.

Com o passar do tempo, surgiram espaços para assumir maiores responsabilidades, participar de projetos mais complexos e contribuir de forma mais estratégica. Essa fase foi marcada pelo aprimoramento técnico, pela busca de capacitação profissional e pelo fortalecimento da autonomia na tomada de decisões. A vivência em diferentes contextos e desafios possibilitou uma visão mais ampla dos negócios e maior capacidade de análise crítica. O intercâmbio com congêneres nacionais e estrangeiras foi muito importante para atingir a visão globalizada do segmento, com suas virtudes e mazelas.

A maturidade profissional trouxe também o desenvolvimento de competências comportamentais, como liderança, proatividade, representatividade, flexibilidade e gestão de pessoas ou processos, quando aplicável. A atuação passou a ser orientada não apenas pela execução, mas também pela melhoria contínua, inovação e colaboração com colegas e gestores, visando resultados sustentáveis e alinhados às metas organizacionais, além da intensa interação setorial onde se alcança a visão holística do que se tem como foco.

A Direção de Entidades de Classe em distintas atividades econômicas me possibilitou ampliar o leque de conhecimento, atuação e coordenação administrativa, política e institucional, na representação dos interesses da categoria profissional, fatores que contribuíram muito na minha chegada à Direção Geral da Abrati, onde passei mais de duas décadas aprendendo e contribuindo com o setor de transporte no Brasil, além de participar também de organismos nacionais e internacionais que tratam dos temas de transporte no seu todo.

O setor de transporte de passageiros no Brasil passou por transformações profundas nas últimas cinco décadas, acompanhando mudanças políticas, econômicas, tecnológicas, sociais, demográficas e regulatórias. Este registro que faço por ocasião de minha retirada da cena transportista, busca destacar alguns aspectos que penso ainda chegarão ao setor do transporte público em médio espaço de tempo, onde o modelo atual deverá evoluir para algo diferente, mais fluido e a ser ditado pelos anseios dos usuários, como aliás mudou de maneira expressiva desde o início dos anos 1970, quando iniciei na atividade e o atual estágio, então inimaginável. Isso também vai decorrer pelo próprio processo evolutivo dos gestores públicos e privados dos transportes, pela razão maior de sua natureza móvel, por óbvio antiestática. Nesses 50 anos todos os processos que envolvem o setor sofreram mudanças para melhor, daí não destaco nenhum deles como mais ou menos importante, mas todos em igualdade de relevância no contexto geral.

Finalizo com uma queixa que vivenciei rotineiramente nos contatos com o setor público do transporte, onde são criados os processos de políticas, gestão e o que deveria ser a defesa inafastável do interesse dos usuários e onde exatamente isso deixa a desejar, ora por inação, ora por tolerância com o ilegal, ora por omissão mesmo e isso que afirmo está refletido nos níveis de ilegalidades que são praticadas no transporte regular de passageiros do Brasil, quando esse segmento que é essencial e indispensável a, pelo menos 75% da população e isso é a eles negado pelos gestores públicos, em que pese os esforços feitos pelos transportadores privados.

De toda forma me resta dizer

OBRIGADO POR FAZER PARTE DESSA HISTÓRIA.

==  José Luiz Santolin   ==

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