Primeiro trimestre de 2026 foi desafiador: ônibus interestaduais tiveram redução de 4% no número de passageiros transportados, mas setor mostra resiliência

Todo setor econômico reflete em seus resultados as estratégias e os investimentos que empreende para crescer, mas, também, as pressões e os impactos que sofre de acontecimentos externos, fora mesmo de seu controle. No caso do transporte terrestre de passageiros, essa relação fica bastante clara e explícita. Ninguém tem dúvidas de que o início de 2026 tem sido bastante desafiador para todos os brasileiros.
Os juros altos e a inflação atingindo diretamente o nível de endividamento das famílias. O conflito na área de produção de petróleo no Oriente Médio, região crucial para o fornecimento de combustíveis para todo o mundo pressionando os preços nas bombas de gasolina, obrigando o governo a fazer malabarismos na tentativa de segurar a alta nos postos.
O nosso setor, claro, não teria como ficar de fora desse quadro. Levamos pessoas de um ponto a outro, seja a passeio, a trabalho, visitar a família, para estudar ou cuidar da saúde. Consumimos diesel de maneira diária e constante para garantir essa circulação por todo o país. Esses elementos todos, acoplados, se refletiram no resultado do primeiro trimestre deste ano, com base nos números gerais da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Ônibus interestaduais: quase 50 milhões de passageiros em um ano
No acumulado de janeiro a março de 2026, 8,9 milhões de passageiros viajaram em ônibus em trajetos interestaduais pelo Brasil. Sem dúvida, é um número impressionante, mas 4% inferior ao mesmo período do ano passado. Na prática, foram quase 400 mil pessoas a menos rodando pelas rodovias brasileiras nos deslocamentos de um estado a outro.
Temos plena consciência de que nas adversidades é que se deve mostrar a força e a resiliência de um setor. Ainda mais em se falando de um segmento presente em praticamente todos os municípios brasileiros. As pessoas podem até escolher viajar de avião para economizar tempo. Mas não existem aeroportos em todas as cidades do país. Os nossos ônibus interestaduais chegam aos pontos mais longínquos do Brasil, com mais de 5.500 cidades. Com muito orgulho, afirmamos que não geramos apenas impactos econômicos, mas também sociais.
Estudantes que aprendem e evoluem em locais diferentes daqueles em que moram; pais e mães de família que asseguram o pão na mesa dos seus entes queridos em estados diferentes daqueles em que vivem. Pessoas enfermas de pequenas cidades do interior que precisam se deslocar para o único hospital qualificado da região em que estão sediados. Nada disso aconteceria se não houvesse transporte intermunicipal e interestadual de passageiros.
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