
Rodrigo Fernandes Toledo é diretor de terminais rodoviários e urbanos da Socicam, empresa líder no segmento de infraestrutura de mobilidade do país com mais de 50 anos de atuação na gestão de terminais rodoviários no Brasil e que, desde 2009, também administra o terminal de Puerto Montt, no Chile. É formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Transporte Terrestre pela Universidad Politécnica de Madrid e especializações em gestão e operações. Na Socicam, lidera as iniciativas de modernização, eficiência operacional, integração modal e experiência do passageiro.
Abrati – Como a Socicam enxerga a evolução dos terminais rodoviários nos últimos anos?
Rodrigo Toledo – A experiência de mais de 50 anos da Socicam na gestão de terminais rodoviários nos permite identificar uma mudança significativa no perfil dos passageiros. Hoje, o cliente que opta pelo transporte rodoviário regular é mais exigente e valoriza, cada vez mais, conforto, praticidade, segurança e conveniência durante toda a sua jornada. Nesse cenário, a experiência do passageiro se tornou um dos principais direcionadores das operações realizadas pela Socicam no Brasil e também no Chile, onde atuamos no terminal rodoviário de Puerto Montt desde 2009.
Os terminais rodoviários deixaram de ser apenas pontos de embarque e desembarque. Assumem papel cada vez mais estratégico na organização da mobilidade urbana, na integração entre modais e na racionalização dos fluxos das cidades. São espaços de mobilidade, convivência e serviços, desde a facilidade de acesso via aplicativos de transporte, táxis e metrô, até a oferta de alimentação, tecnologia, conectividade e conforto no período de espera. Por isso, modernizar um terminal é, antes de tudo, acompanhar as novas demandas do público.
Abrati – Quais serviços mais têm sido demandados pelos passageiros?
Rodrigo – Os passageiros querem experiências de viagem mais confortáveis, práticas e integradas. Além da operação em si, o público valoriza serviços, conveniência, conectividade e ambientes mais acolhedores em toda a jornada. Isso faz com que os terminais concentrem uma oferta cada vez mais ampla de soluções. No Terminal Tietê, maior do Brasil, esse potencial é especialmente grande: são milhões de passageiros por ano, com uma capacidade enorme de integração de serviços e mobilidade que trabalhamos para aproveitar ao máximo.
OLHO / CALHAU – “Os terminais já são, na prática, espaços de convivência e serviços. Nosso papel é estar à altura dessa demanda.” Rodrigo Fernandes Toledo
Abrati – Como os terminais vêm se tornando espaços de convivência além do embarque?
Rodrigo – Nos três terminais de São Paulo, registramos diariamente um volume expressivo de clientes que chegam sem intenção de embarcar, apenas para usar lojas, alimentação, sanitários, serviço de banho. Esse comportamento nos trouxe uma leitura importante: os terminais já são, na prática, espaços de convivência e serviços, e nosso papel é estar à altura dessa demanda. A partir dessa percepção, ampliamos estrategicamente a gama de ofertas. Um exemplo concreto são as salas VIP, que traduzem com precisão o novo perfil do passageiro do transporte rodoviário. Só no Tietê, temos sete salas VIP distribuídas pelo terminal, combinando atendimento personalizado e comodidade. E já desenvolvemos projetos para levar esses espaços a Barra Funda e Jabaquara. Os terminais modernos precisam atender não só quem viaja, mas a dinâmica urbana da região onde estão inseridos.
Abrati – O que já pode ser compartilhado sobre os projetos de revitalização?
Rodrigo –Estamos em fase de finalização de um projeto robusto e transformador, que contempla todas essas frentes para os Terminais Rodoviários Tietê, Barra Funda e Jabaquara.No próximo ano, esses empreendimentos passarão por uma grande revitalização, uma iniciativa que redefine o conceito de experiência do passageiro no transporte rodoviário.
Para os Terminais Tietê e Jabaquara, estamos falando de um investimento voltados à reforma, modernização e requalificação completa. Entre os destaques, podemos antecipar melhorias significativas em acessibilidade, novas instalações e construções, incluindo sanitários completamente reformados, integração intermodal com o Metrô, ações estratégicas para incentivar o uso do transporte coletivo rodoviário e um conjunto expressivo de medidas de sustentabilidade.
Abrati – Existe uma nova geração de terminais rodoviários em desenvolvimento no Brasil?
Rodrigo – Sim, existe. O conceito de “rodoviária” como mero local de embarque e desembarque está sendo substituído por hubs de integração urbana e centros de conveniência. Os terminais serão cada vez menos estruturas isoladas de transporte e, cada vez mais, empreendimentos integrados de mobilidade, serviços, conveniência urbana e à altura da experiência para os nossos passageiros.
Impulsionados por novas concessões à iniciativa privada e pela mudança no perfil do passageiro que hoje exige a mesma fluidez dos aplicativos de transporte, os novos projetos no país se estruturam sobre pilares como digitalização e inteligência operacional, sustentabilidade e práticas ESG, integração multimodal e ampliação de serviços.
Mais do que espaços de embarque, os terminais passam a ter papel relevante na dinâmica urbana das cidades. São espaços que atendem à comunidade, promovem integração, serviços, ações culturais e iniciativas sociais. Nos próximos anos, veremos os terminais rodoviários assumindo papel cada vez mais estratégico dentro das cidades. Fundamentais para a mobilidade nacional, mas agora aliados a conceitos de inovação, hospitalidade, eficiência e experiência do usuário em um padrão muito mais contemporâneo.
Abrati – O que essas reformas devem trazer de concreto para os passageiros?
Rodrigo – Os nossos projetos estão orientados pelas expectativas atuais dos clientes, com foco em elevar o padrão de experiência em toda a jornada, da chegada ao terminal até o início da viagem. As reformas nos Terminais Tietê, Barra Funda e Jabaquara traduzem esse compromisso: novos espaços, infraestrutura modernizada, mais acessibilidade, integração intermodal e ambientes pensados para o bem-estar do passageiro. Queremos que cada cliente perceba, na prática, que os terminais evoluíram e que essa evolução foi feita para ele.
Abrati – Quais pilares têm guiado os projetos de renovação da Socicam?
Rodrigo – O objetivo central é fazer com que os terminais sejam ambientes compatíveis com a nova dinâmica de mobilidade urbana e com o perfil do passageiro contemporâneo. O primeiro pilar é a experiência do passageiro: ambientes mais confortáveis, acessíveis, intuitivos e humanizados. Melhorias em infraestrutura, climatização, iluminação, mobiliário, sinalização inteligente e áreas de espera. O segundo é a integração multimodal: os grandes terminais precisam dialogar de forma eficiente com metrô, trem, ônibus urbanos, aplicativos, táxis. O objetivo é uma jornada fluida, segura e sem atritos. O terceiro é a tecnologia: sistemas inteligentes de monitoramento, recursos digitais de informação ao passageiro, conectividade, automação operacional e ferramentas de gestão em tempo real. A segurança é eixo prioritário: vigilância moderna, inteligência operacional, controle de acesso e monitoramento integrado. A requalificação comercial também é central, os terminais têm potencial para se tornar verdadeiros hubs de serviços. E a sustentabilidade é compromisso transversal: modernização energética, gestão de resíduos, uso racional de recursos e práticas ESG.
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