Abrati

Saiu na Mídia: Maio Amarelo e o empenho para transformar nossas estradas em um ambiente mais seguro

O avanço do transporte clandestino contratado por aplicativo coloca em risco a segurança de quem viaja.Na imagem, vista aérea de uma rodovia (divulgação: Poder360)
No artigo publicado no portal Poder360, a diretora-geral da Abrati, Letícia Pineschi, reflete sobre os desafios da segurança viária e o papel do transporte regular de passageiros na construção de estradas mais seguras.

Por Letícia Pineschi

Criada em 2014, a campanha Maio Amarelo lançada na semana passada reforça, mais uma vez, a necessidade de que todos nós, que trabalhamos no trânsito no dia a dia, nos empenhemos para transformá-lo em um ambiente mais seguro. As rodovias nacionais devem ser, cada vez mais, vias de escoamento de produção e de locomoção de passageiros para trabalhar, estudar, se divertir, visitar familiares e reforçar vínculos afetivos. E cada vez menos veias de dor, acidentes, morte, lágrimas e prejuízos afetivos e econômicos.

Os números apresentados no início do mês mostram que temos um longo caminho a percorrer. Durante o ano passado tivemos 72,4 mil acidentes, que resultaram em pouco mais de seis mil mortes e 83 mil feridos nas rodovias brasileiras. A tragédia cotidiana não traz apenas a dor de vidas dilaceradas, de famílias destruídas, de sonhos sepultados que jamais se realizarão.

Os acidentes causam impactos ambientais, a depender se eles envolvem veículos de carga. Também trazem um profundo custo social com indenizações e reserva de leitos hospitalares para socorrer as vítimas. Empresas e autoridades sofrem com custos de imagem reputacional mesmo que tenham se empenhado em evitar os acidentes. Se formos apenas quantificar, os prejuízos chegam a R$ 50 bilhões/ano, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

O requinte de crueldade não para por aí. Esses números se tornam ainda mais agudos nos períodos de festas e feriados prolongados, justamente quando as pessoas querem apenas relaxar e esquecer dos problemas cotidianos. Na chamada Operação Rodovia, que durou entre 18 de dezembro de 2025 até 22 de fevereiro deste ano – período que pegou o Natal, o Ano Novo e o carnaval – aconteceram 13,2 mil acidentes com 1,1 mil mortes.

A Associação Brasileira de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati) acompanha essa realidade e se empenha diariamente para reverter as estatísticas. Somos uma associação com imensa capilaridade, atendendo 95% dos municípios e distribuindo renda em aproximadamente cinco mil cidades brasileiras. Nosso setor é intensivo em mão de obra e emprega até 15 pessoas por ônibus em toda a cadeia do transporte. A responsabilidade é imensa e nossas preocupação encontra-se à altura da nossa tarefa.

Ao longo dos últimos anos, investimos mais de R$ 14 bilhões em melhoria e modernização da frota, treinamento e atendimentos aos nossos colaboradores e outros cuidados para permitir que os condutores – responsáveis, em última instância, pelo ir e vir dos passageiros com segurança – possam exercer da melhor maneira suas atividades. Identificamos que muitos acidentes têm como fator preponderante a condição das estradas. O Brasil conta com 1,7 milhão de quilômetros de rodovias, sendo que apenas 12% delas são pavimentadas.

Existe uma sabedoria popular que nos ensina a nos concentrar nas questões que podemos resolver. Sim, muitas vezes as infraestruturas rodoviárias não são as mais adequadas. Mas o que podemos fazer para diminuir os gargalos? Promovemos treinamento e reciclagem constantes, monitoramos o sono dos condutores, oferecemos auxílio psicológico e jurídico para que os profissionais estejam física e mentalmente tranquilos para exercer os respectivos ofícios.

Mas também é nosso dever ligar um sinal de alerta. O avanço do transporte clandestino contratado por aplicativo coloca em risco a segurança de quem viaja. Empresas de transporte coletivo reguladas adotam uma série de medidas em prol da segurança dos passageiros. Em viagens longas, por exemplo, um motorista descansado embarca em um ponto de parada previamente determinado, para que o outro que já estava dirigindo possa desembarcar e descansar.  Câmeras nos veículos também registram as viagens, em tempo real, para que os motoristas não façam manobras perigosas e para identificar neles sinais de sono. Nos pontos de parada dos ônibus, os condutores têm acesso a salas equipadas com luzes especiais, para que se mantenham despertos.

Combater o transporte irregular também ajuda – e muito – a diminuir a letalidade nas estradas brasileiras. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) tem ficado, a cada dia, mais atenta. Mas os passageiros também devem colaborar para não ficarem à mercê desses riscos. Antes de viajar, o passageiro deve conferir se a empresa é regularizada; comprar passagens nos sites oficiais ou diretamente nas rodoviárias; verificar se a empresa tem guichê físico e, no caso de menores de 18 anos, checar toda a documentação exigida são cuidados que fazem toda a diferença. Se algum desses pontos não acontecer, desconfie. O veículo ou empresa mesmo não é regular, não garante sua segurança.

Diminuir os alarmantes números apresentados nos estatísticas da PRF é tarefa de todos nós. É fácil e se resolverá de um momento para outro? Não. Mas não podemos ficar parados no ponto à espera de uma solução mágica e instantânea. Esse quadro só será revertido com a participação de todos que, direta ou indiretamente, dependem de um setor tão crucial para a economia brasileira – seja no Maio Amarelo ou no ano todo.

Letícia Pineschi é empresária e diretora-geral da Abrati

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