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Férias de Julho: malas e rodas nas estradas brasileiras

Férias escolares é momento de arrumar as malas e ir para a praia, montanha, cidades históricas ou apenas uma pausa para visitar os parentes que moram em outro local. Isso aumenta a expectativa de um movimento intenso nas rodovias interestaduais brasileiras, apesar das crises e do endividamento das famílias brasileiras. Com base no comportamento histórico do setor, a expectativa para o transporte interestadual de passageiros em julho de 2026 é de aproximadamente 3,3 milhões de passageiros transportados, volume consistente com o padrão típico do mês. Esse número pode passar por algumas oscilações por conta da Copa do Mundo, mas nada que altere radicalmente as previsões para o período. “Julho é um mês tradicional de aquecimento em nosso movimento. Esperamos a manutenção dos patamares dos anos anteriores, apesar de todos os problemas externos, como endividamento das famílias e o aumento no preço dos combustíveis. Estamos otimistas e preparados para levar os brasileiros para onde desejarem”, declarou a diretora-geral da Abrati, Letícia Pineschi. Os destinos mais procurados nesse período de férias de meio de ano são o litoral do país, especialmente o Nordeste, além de cidades turísticas como Gramado (RS), Ouro Preto (MG) e Petrolina (PE). Serviço A Abrati aproveita para reforçar algumas informações importantes no período previsto de grandes deslocamentos pelas rodovias nacionais: 1 – Não compre passagens vendidas por ônibus não regulares, clandestinos e sem segurança. 2 – Verifique a procedência da empresa que está anunciando as passagens. Consulte sempre as especificações das empresas no site da ANTT (https://www.gov.br/antt/pt-br) ou da Abrati (https://abrati.org.br/) 3 – Compre passagens com antecedência para garantir bons lugares e até menores preços. 4 – No dia da viagem, chegue com antecedência ao local de embarque para evitar tumultos e riscos de perder a viagem. 5 – Viajando com crianças e menores de 18 anos leve os documentos e autorizações para a viagem. A mesma dica vale para as viagens com Pets.

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Abertas as inscrições para o Maiores & Melhores do Transporte 2026

A OTM Editora está com inscrições abertas para a 39ª edição do anuário Maiores do Transporte & Melhores do Transporte 2026. Há quase quatro décadas, o levantamento funciona como o principal termômetro de desempenho do setor. Figurar entre as mais de 1.200 empresas participantes se tornou, ao longo do tempo, uma referência de credibilidade e transparência para operadoras de todos os portes. Mais do que um ranking, o anuário é uma vitrine para o mercado. Empresas que divulgam seus números demonstram solidez e comprometimento com boas práticas de gestão, atributos cada vez mais valorizados por parceiros comerciais, investidores e pelo próprio setor. Em um momento em que o transporte rodoviário de passageiros atravessa um ciclo de modernização  com renovação de frotas, expansão digital e novos modelos de serviço, ter presença no Maiores & Melhores reforça o posicionamento da empresa nesse cenário de transformação. A participação é gratuita. Para concorrer, as empresas devem acessar www.otminteligencia.com.br, preencher o questionário e enviar o balanço consolidado sintético e a DRE de 2025 até 31 de julho de 2026. Dúvidas podem ser esclarecidas pelo e-mail marcelofontana@otmeditora.com ou pelo telefone (11) 99280-2606. Leia mais matérias na News/108:

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Nota de Pesar: Falecimento de Cláudio Flor

A Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati) manifesta profundo pesar pelo falecimento de Cláudio Flor, profissional que marcou a história do transporte rodoviário de passageiros no Brasil. Ao longo de sua trajetória, Cláudio esteve à frente de empresas pioneiras do setor e participou ativamente das atividades da Abrati. Seu legado permanecerá como referência para empresários, gestores e profissionais que tiveram a oportunidade de conviver com ele. A Abrati solidariza-se com os familiares, amigos e colegas, desejando força e conforto neste momento de despedida. Sua contribuição para o desenvolvimento do transporte rodoviário de passageiros e a alegria em conviver serão sempre lembrada e respeitada.

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A maioridade da responsabilidade: O que 18 anos de Lei Seca no Brasil nos ensina

Analisar a Lei Seca sob a ótica de dados e do seu impacto direto no setor de transportes rodoviários é um exercício fascinante de compliance e segurança pública. A Lei Seca (Lei no 11.705) acabou de atingir a sua maioridade. Ela completou exatos 18 anos ontem, embora tenha entrado em vigor em 19 de junho de 2008. Trata-se de um verdadeiro marco histórico na legislação brasileira. A legislação foi um divisor de águas na forma como a sociedade e as empresas encaram a segurança viária. Suas principais alterações incluíram: Tolerância Zero- O Brasil passou a ser um dos poucos países do mundo a adotar a tolerância zero para a presença de álcool no sangue do condutor. Penalidades Severas- Suspensão do direito de dirigir por 12 meses, retenção do veículo e multas pesadíssimas, que foram multiplicadas ao longo dos anos. Criminalização- Estabelecimento de níveis a partir dos quais a conduta deixa de ser apenas infração administrativa e passa a ser crime de trânsito. Diversificação de Provas- A partir de atualizações em 2012, a recusa ao bafômetro deixou de ser um escudo. A lei passou a aceitar vídeos, testemunhos e exames clínicos como prova de embriaguez, garantindo um enforcement muito mais rigoroso. Em uma abordagem guiada por dados sobre esses 18 anos observamos a comprovação da eficácia da lei: Levantamentos recentes de 2026 apontam uma queda nacional de 19,5%nas mortes no trânsito associadas ao álcool desde o início da década passada. (Agência Brasil e Correio Braziliense). Em estados com políticas de fiscalização contínua e intensiva, como o Rio de Janeiro, estudos indicam uma redução histórica de até 40% no número de acidentes e vítimas ao longo da vigência da lei. (Portal Oficial do Governo do Estado do Rio de Janeiro). O Impacto no Transporte Rodoviário de Passageiros Para a ABRATI, o impacto foi transformador. O transporte rodoviário regular, que já possuía diretrizes rígidas, encontrou na Lei Seca o respaldo legal perfeito para elevar o seu nível de responsabilidade, prestação de contas e mais um grande diferencial entra a operadora profissional e regular, quando comparado ao alternativo e clandestino. Primeiro, a tolerância zero blindou a operação das empresas. As viações passaram a adotar testes de bafômetro nas próprias garagens antes do início de cada viagem. Essa cultura de segurança em primeiro lugar eduziu drasticamente a sinistralidade envolvendo ônibus rodoviários por fator humano ligado ao álcool. Segundo, a Lei Seca atuou em sinergia com a posterior Lei do Motorista (que introduziu o exame toxicológico). Juntas, elas garantiram que o motorista profissional do transporte regular seja o condutor mais testado e monitorado do país. Por outro lado, estradas mais seguras com todos os condutores sob o crivo das blitzes garantem viagens mais tranquilas. Para o legislador e reguladores a confiança de que a sociedade tem um instrumento de proteção normativo que incentiva a escolha do transporte coletivo em detrimento de caronas e lotadas incertas também é um ponto extremamente positivo e um indicador de qualidade do trabalho bem feito. A eficácia da Lei Seca nas ruas é uma realidade, mas no transporte rodoviário a tolerância zero é o nosso ponto de partida, fazendo da viagem de ônibus a escolha estatisticamente mais segura do país. Leia aqui: https://diariodotransporte.com.br/2026/06/20/lei-seca-completa-18-anos-com-reducao-de-mortes-e-reforco-a-seguranca-nas-estradas/

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Entrevista: “Os terminais serão, cada vez mais, empreendimentos integrados de mobilidade, serviços, conveniência urbana e à altura da experiência para os nossos passageiros”

Rodrigo Fernandes Toledo é diretor de terminais rodoviários e urbanos da Socicam, empresa líder no segmento de infraestrutura de mobilidade do país com mais de 50 anos de atuação na gestão de terminais rodoviários no Brasil e que, desde 2009, também administra o terminal de Puerto Montt, no Chile. É formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Transporte Terrestre pela Universidad Politécnica de Madrid e especializações em gestão e operações. Na Socicam, lidera as iniciativas de modernização, eficiência operacional, integração modal e experiência do passageiro. Abrati – Como a Socicam enxerga a evolução dos terminais rodoviários nos últimos anos? Rodrigo Toledo – A experiência de mais de 50 anos da Socicam na gestão de terminais rodoviários nos permite identificar uma mudança significativa no perfil dos passageiros. Hoje, o cliente que opta pelo transporte rodoviário regular é mais exigente e valoriza, cada vez mais, conforto, praticidade, segurança e conveniência durante toda a sua jornada. Nesse cenário, a experiência do passageiro se tornou um dos principais direcionadores das operações realizadas pela Socicam no Brasil e também no Chile, onde atuamos no terminal rodoviário de Puerto Montt desde 2009. Os terminais rodoviários deixaram de ser apenas pontos de embarque e desembarque. Assumem papel cada vez mais estratégico na organização da mobilidade urbana, na integração entre modais e na racionalização dos fluxos das cidades. São espaços de mobilidade, convivência e serviços, desde a facilidade de acesso via aplicativos de transporte, táxis e metrô, até a oferta de alimentação, tecnologia, conectividade e conforto no período de espera. Por isso, modernizar um terminal é, antes de tudo, acompanhar as novas demandas do público. Abrati – Quais serviços mais têm sido demandados pelos passageiros? Rodrigo – Os passageiros querem experiências de viagem mais confortáveis, práticas e integradas. Além da operação em si, o público valoriza serviços, conveniência, conectividade e ambientes mais acolhedores em toda a jornada. Isso faz com que os terminais concentrem uma oferta cada vez mais ampla de soluções. No Terminal Tietê, maior do Brasil, esse potencial é especialmente grande: são milhões de passageiros por ano, com uma capacidade enorme de integração de serviços e mobilidade que trabalhamos para aproveitar ao máximo. Abrati – Como os terminais vêm se tornando espaços de convivência além do embarque? Rodrigo – Nos três terminais de São Paulo, registramos diariamente um volume expressivo de clientes que chegam sem intenção de embarcar, apenas para usar lojas, alimentação, sanitários, serviço de banho. Esse comportamento nos trouxe uma leitura importante: os terminais já são, na prática, espaços de convivência e serviços, e nosso papel é estar à altura dessa demanda. A partir dessa percepção, ampliamos estrategicamente a gama de ofertas. Um exemplo concreto são as salas VIP, que traduzem com precisão o novo perfil do passageiro do transporte rodoviário. Só no Tietê, temos sete salas VIP distribuídas pelo terminal, combinando atendimento personalizado e comodidade. E já desenvolvemos projetos para levar esses espaços a Barra Funda e Jabaquara. Os terminais modernos precisam atender não só quem viaja, mas a dinâmica urbana da região onde estão inseridos. Abrati – O que já pode ser compartilhado sobre os projetos de revitalização? Rodrigo –Estamos em fase de finalização de um projeto robusto e transformador, que contempla todas essas frentes para os Terminais Rodoviários Tietê, Barra Funda e Jabaquara.No próximo ano, esses empreendimentos passarão por uma grande revitalização, uma iniciativa que redefine o conceito de experiência do passageiro no transporte rodoviário. Para os Terminais Tietê e Jabaquara, estamos falando de um investimento voltados à reforma, modernização e requalificação completa. Entre os destaques, podemos antecipar melhorias significativas em acessibilidade, novas instalações e construções, incluindo sanitários completamente reformados, integração intermodal com o Metrô, ações estratégicas para incentivar o uso do transporte coletivo rodoviário e um conjunto expressivo de medidas de sustentabilidade. Já no Terminal Rodoviário Barra Funda, importante equipamento que operamos com orgulho desde 1990, trata-se de uma modernização completa, com intervenções na infraestrutura do sistema viário, reforma dos sanitários, implantação de elevadores para pessoas com deficiência e escadas rolantes, entre outras melhorias que reforçam nosso compromisso com a qualidade e a inclusão. São projetos que refletem a visão da SOCICAM de elevar continuamente o padrão de infraestrutura e experiência oferecido à população. Abrati – Existe uma nova geração de terminais rodoviários em desenvolvimento no Brasil? Rodrigo – Sim, existe. O conceito de “rodoviária” como mero local de embarque e desembarque está sendo substituído por hubs de integração urbana e centros de conveniência. Os terminais serão cada vez menos estruturas isoladas de transporte e, cada vez mais, empreendimentos integrados de mobilidade, serviços, conveniência urbana e à altura da experiência para os nossos passageiros.Impulsionados por novas concessões à iniciativa privada e pela mudança no perfil do passageiro que hoje exige a mesma fluidez dos aplicativos de transporte, os novos projetos no país se estruturam sobre pilares como digitalização e inteligência operacional, sustentabilidade e práticas ESG, integração multimodal e ampliação de serviços.Mais do que espaços de embarque, os terminais passam a ter papel relevante na dinâmica urbana das cidades. São espaços que atendem à comunidade, promovem integração, serviços, ações culturais e iniciativas sociais. Nos próximos anos, veremos os terminais rodoviários assumindo papel cada vez mais estratégico dentro das cidades. Fundamentais para a mobilidade nacional, mas agora aliados a conceitos de inovação, hospitalidade, eficiência e experiência do usuário em um padrão muito mais contemporâneo. Abrati  – O que essas reformas devem trazer de concreto para os passageiros? Rodrigo – Os nossos projetos estão orientados pelas expectativas atuais dos clientes, com foco em elevar o padrão de experiência em toda a jornada, da chegada ao terminal até o início da viagem. As reformas nos Terminais Tietê, Barra Funda e Jabaquara traduzem esse compromisso: novos espaços, infraestrutura modernizada, mais acessibilidade, integração intermodal e ambientes pensados para o bem-estar do passageiro. Queremos que cada cliente perceba, na prática, que os terminais evoluíram e que essa evolução foi feita para ele. Abrati – Quais pilares têm guiado os projetos de renovação da Socicam? Rodrigo – O objetivo central é fazer com que os terminais sejam ambientes

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Alta temporada na estrada: como o setor se prepara para as férias de Julho

Demanda aquecida e alta das tarifas aéreas reforçam a expectativa para um dos períodos de maior procura por viagens no Brasil O mês de julho ocupa um lugar especial no calendário do transporte rodoviário de passageiros. Com as férias escolares movimentando famílias de norte a sul do país, o período representa uma oportunidade concreta de ampliação de mercado e fidelização de clientes. Para 2026, as associadas à Abrati já se organizam para atender a uma demanda acima da média, com planejamento iniciado meses antes do embarque do primeiro passageiro. O Grupo JCA, que reúne marcas como Cometa, Catarinense e Autoviação 1001, projeta crescimento de cerca de 8% na demanda em relação a julho de 2025. São Paulo segue como principal polo de origem e destino, com as rotas São Paulo–Belo Horizonte, São Paulo–Rio de Janeiro, São Paulo–Curitiba e Florianópolis–São Paulo entre as mais procuradas, além de Foz do Iguaçu–Rio de Janeiro e Cabo Frio–São Paulo. Na Gontijo, embora as vendas para o período ainda não estivessem abertas na data de fechamento desta edição, as projeções se baseiam no comportamento histórico das férias escolares. As rotas de maior movimento conectam os grandes centros do Sudeste – São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte — ao Nordeste, além do forte fluxo intermunicipal dentro de Minas Gerais. Para a Viação Águia Branca, a expectativa é de demanda cerca de 30% acima de um mês regular. Os destinos de maior movimento são o Sul da Bahia, Salvador e Rio de Janeiro, com crescimento também no Vale do Aço e Curitiba. Thiago Juffo, diretor de Negócios da empresa, destaca que o aquecimento começa antes: “A partir do dia 20 de junho, as linhas já começam a ter um impacto importante na procura, com aumento próximo de 30% em relação a períodos normais por conta dos festejos juninos, especialmente na Bahia, Sergipe e Pernambuco.” Reforço de frota, equipes e planejamento O denominador comum entre as três empresas é o planejamento antecipado que envolve todas as áreas da operação. O Grupo JCA distribui horários extras estrategicamente, intensifica a manutenção preventiva e revisa escalas de motoristas sem comprometer os períodos de descanso. A Gontijo adota abordagem semelhante. “O principal desafio é gerenciar fatores externos imprevisíveis, como o tráfego intenso e as condições das rodovias na alta temporada. Para mitigar isso, utilizamos tecnologia de monitoramento em tempo real da frota e logística rigorosa de escalas. O foco é manter a segurança em primeiro lugar, sem comprometer a qualidade do serviço”, explica Fernanda Gontijo, gestora comercial da empresa. Na Águia Branca, que opera com mais de 700 veículos, Thiago Juffo reforça que a chave está na previsibilidade: “Quanto melhor conseguimos antecipar o comportamento da demanda, melhor planejamos frota, horários, equipes e atendimento.” Tarifas aéreas elevadas favorecem o rodoviário Com preços mais elevados, uma parcela crescente de passageiros tem revisado suas opções, especialmente em rotas de curta e média distância. O Grupo JCA nota a chegada de passageiros que antes priorizavam o avião e que passam a valorizar conforto, conectividade a bordo e programas de fidelidade. A Gontijo percebe o mesmo: o serviço de Leito torna-se altamente competitivo para um público exigente, que prioriza custo-benefício, segurança e pontualidade. A disputa por esse passageiro começa antes das férias. As três empresas investem em campanhas nos canais digitais — redes sociais, apps, site e WhatsApp —, com incentivo à compra antecipada e vantagens dos programas de fidelidade. Thiago Juffo, finaliza: “o investimento é estratégico pois o passageiro quer resolver a compra de forma simples, rápida e segura, e com vantagem econômica se comprar e planejar antes.” Mesmo com todo o preparo, variáveis como tráfego intenso e concentração de embarques nos terminais exigem resiliência em tempo real. Mas é justamente nesse cenário de alta pressão que o transporte rodoviário regular mostra sua força: capilaridade, frequência e confiabilidade que nenhum outro modal consegue oferecer na mesma escala. Julho não é só um desafio operacional. É uma vitrine. E as associadas à Abrati chegam prontas para aproveitá-la. Confira mais matérias na edição de junho da Revista ABRATI

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Fim da Jornada 6×1: um debate que o Brasil precisa ter com seriedade

Um abaixo-assinado virtual sobre a PEC nº 08/2025, que versa sobre o fim da escala 6×1, ultrapassou a marca de 2 milhões de assinaturas. A mobilização revela uma percepção social legítima: milhões de brasileiros sentem que trabalham demais e descansam de menos. O sentimento é compreensível. Estudo publicado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2022, aponta que jornadas excessivas estão associadas ao aumento de problemas cardiovasculares, distúrbios do sono, ansiedade, depressão e acidentes de trabalho. Para muitos trabalhadores submetidos à escala 6×1, o único dia de descanso frequentemente deixa de ser descanso. Torna-se um dia voltado à recuperação física e às obrigações cotidianas. Trabalhando há mais de duas décadas na área jurídica, assessorando empresas do varejo e do setor de transporte rodoviário de passageiros, acompanhei de perto esse desgaste nas negociações coletivas e no cotidiano operacional das empresas. Mas justamente por conhecer a realidade das operações contínuas, preocupa-me que uma mudança abrupta para um modelo 5×2, sem planejamento adequado, produza efeitos contrários aos pretendidos. Este não é um manifesto contra a redução da jornada. O debate é legítimo. A questão central é como realizar essa transição sem ampliar informalidade, comprometer serviços essenciais e gerar insegurança econômica. Há um aspecto frequentemente subestimado nessa discussão: o impacto da redução abrupta da jornada sobre um mercado de trabalho ainda fortemente marcado pela informalidade. Dados citados pelo economista Fernando de Holanda Barbosa Filho mostram que a informalidade no Brasil alcança 37,6% quando considerados trabalhadores sem carteira e trabalhadores por conta própria sem CNPJ. O próprio relatório da OIT destaca que trabalhadores informais já cumprem jornadas semelhantes às do mercado formal, porém sem acesso às garantias trabalhistas e previdenciárias. Nesse contexto, uma redução de jornada implementada sem medidas paralelas de combate à informalidade pode elevar o custo do trabalho formal e estimular relações ainda mais precárias. No setor de transporte rodoviário regular de passageiros, esse risco é especialmente sensível. Trata-se de um serviço público essencial e contínuo, cuja lógica operacional não se compara a atividades que podem simplesmente reduzir horários de funcionamento. Estudo da CNT demonstra que a necessidade de contratação adicional para manutenção das operações em modelo 5×2 representa aumento expressivo dos custos das empresas. Em um setor submetido a tarifas reguladas, esse impacto não pode ser absorvido automaticamente. As linhas mais vulneráveis tendem a ser justamente aquelas que atendem municípios menores, horários noturnos e regiões de baixa demanda — operações que frequentemente já funcionam no limite da viabilidade econômica. Quando uma linha regular é encerrada, o problema ultrapassa a esfera empresarial: significa menos acesso a saúde, educação e trabalho para milhares de pessoas. Além disso, há limitação objetiva de mão de obra. Motoristas profissionais das categorias D e E exigem habilitação específica, cursos obrigatórios, exames periódicos e experiência operacional. Não existe reposição imediata para esse tipo de profissional. Experiências internacionais analisadas pela OIT em países como Islândia, Reino Unido e França apontam que jornadas menores podem gerar ganhos de produtividade, saúde e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Mas esses resultados ocorreram em contextos econômicos e regulatórios distintos da realidade brasileira. Por isso, qualquer proposta séria sobre o tema deveria contemplar, no mínimo, prazo de transição razoável para setores essenciais; revisão dos contratos de concessão e permissão; fortalecimento do combate ao transporte informal; participação efetiva de governo, empresas e sindicatos na implementação da mudança; e mecanismos de apoio à contratação e formação de novos profissionais. Os trabalhadores têm razão ao reivindicar mais tempo para viver. Mas uma mudança dessa magnitude exige planejamento econômico, responsabilidade institucional e capacidade operacional para evitar que uma medida concebida para ampliar proteção social termine produzindo precarização. Os trabalhadores que passam domingos nas estradas, longe da família, merecem mais do que uma solução simbólica. Merecem uma reforma que efetivamente melhore suas condições de vida sem comprometer empregos formais, serviços essenciais e a sustentabilidade do sistema de transporte. A grandeza de uma reforma trabalhista não se mede no momento de sua aprovação, mas nos resultados concretos produzidos para os trabalhadores ao longo do tempo. Referências consultadas • OIT — Working Time and Work-Life Balance Around the World (2022) • Barbosa Filho, F.H. — Redução da jornada tem custos (Valor Econômico, 2026) • CNT — Estudo de Impactos Financeiros do Fim da Jornada 6×1 no Setor de Transporte (2025) • BBC Brasil — Como o fim da escala 6×1 pode aumentar a precarização do trabalho (2024) Confira mais matérias na edição de junho da Revista ABRATI

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Inteligência Artificial no setor de transporte: os riscos da automação baseada em informações inconsistentes

A incorporação acelerada de ferramentas de inteligência artificial no setor de transporte rodoviário interestadual de passageiros tem transformado profundamente a forma como o setor produz diagnósticos, monitoram mercados e tomam decisões estratégicas. Sistemas de IA já são utilizados para prever demanda, identificar padrões operacionais, calcular indicadores de desempenho e apoiar processos regulatórios em larga escala. No entanto, a efetividade desses modelos depende diretamente da qualidade das informações que os alimentam. Em um contexto no qual grande parte das análises se baseia em dados públicos disponibilizados por órgãos governamentais, problemas como registros incompletos, inconsistências metodológicas, falhas de atualização e ausência de padronização passam a representar um risco estratégico relevante. Diferentemente de especialistas humanos, capazes de contextualizar anomalias e reconhecer limitações nas bases utilizadas, algoritmos tendem a operar sob o pressuposto de que os dados disponíveis são válidos, consistentes e suficientemente confiáveis. Como consequência, análises automatizadas podem produzir resultados tecnicamente sofisticados, mas substantivamente equivocados, afetando decisões empresariais, avaliações regulatórias e interpretações de mercado. Nesse cenário, os dados públicos, em especial aqueles disponibilizados pela ANTT e pelo portal de Dados Abertos do governo federal, ganham centralidade, sendo amplamente utilizados por empresas, pesquisadores, consultorias e sistemas de IA. Contudo, é necessário enfrentar uma questão fundamental: dado público não é, necessariamente, sinônimo de dado completo, consistente ou pronto para uso automatizado A IA trabalha com o que recebe Embora seja uma ferramenta poderosa, a inteligência artificial não possui a mesma capacidade de julgamento crítico de um analista experiente, que consegue identificar inconsistências operacionais, regulatórias ou de contexto. Quando alimentada com bases incompletas, inconsistentes ou desatualizadas, a IA pode produzir análises equivocadas que, apesar da aparência de precisão técnica, não refletem adequadamente a realidade. Por isso, a confiabilidade dos resultados está diretamente relacionada à qualidade das informações utilizadas. No transporte rodoviário interestadual, isso pode afetar diretamente diagnósticos de mercado e concorrência, projeções de demanda, cálculos operacionais, como passageiro por quilômetro, avaliações regulatórias, estudos tarifários e indicadores de desempenho. Um registro ausente ou inconsistente pode alterar de forma significativa a interpretação de uma operação específica ou mesmo de todo um mercado. Dados abertos exigem leitura crítica Os portais de dados abertos representam um avanço institucional importante: ampliam a transparência, democratizam o acesso à informação e viabilizam processos de inovação. No entanto, cada órgão público trabalha sob condições tecnológicas próprias. Algumas instituições contam com equipes robustas de TI e processos maduros de governança de dados. Outras operam com equipes reduzidas, sistemas legados e estruturas em constante adaptação. Na prática, isso significa que não existe padrão único de qualidade, atualização e documentação entre os órgãos brasileiros. Bases podem ficar temporariamente desatualizadas, integrações podem falhar, séries históricas podem sofrer alterações, inconsistências podem permanecer sem correção por longos períodos e regras de negócio podem mudar sem registro adequado. Para sistemas de IA, porém, essas limitações nem sempre são visíveis. Dados incompletos, instáveis ou mal documentados podem ser processados como se fossem plenamente válidos e confiáveis. Governança de dados como prioridade estratégica Já existem plataformas capazes de consumir dados públicos automaticamente para gerar rankings, painéis de mercado, projeções financeiras e relatórios automatizados. O problema surge quando a origem, a qualidade e a confiabilidade dessas informações não são validadas antes da tomada de decisão. Uma IA pode concluir que determinada linha possui baixa ou alta demanda com base em dados incompletos; que um mercado está abandonado por falhas de atualização; ou que um indicador caiu por razões operacionais quando, na verdade, houve apenas uma mudança técnica na captura dos dados. O risco, portanto, não é apenas tecnológico. É estratégico. Diante disso, as empresas precisam desenvolver uma cultura mais robusta de governança de dados. Não basta utilizar inteligência artificial. É necessário construir processos de validação, auditoria e contextualização das informações consumidas. Algumas práticas tornam-se essenciais: validar dados públicos com fontes operacionais próprias; comparar séries históricas antes de automatizar análises; identificar lacunas, inconsistências e mudanças metodológicas; manter supervisão humana sobre modelos de IA; evitar decisões estratégicas baseadas exclusivamente em automação; comunicar inconsistências aos órgãos competentes e cobrar maior qualidade, padronização e atualização das informações disponibilizadas ao setor. O potencial da IA está na qualidade dos dados A existência de inconsistências não invalida a política de dados abertos nem reduz sua importância. Pelo contrário: a abertura dos dados é justamente o que permite identificar problemas, corrigir falhas e aprimorar processos. O desafio está em amadurecer a relação entre tecnologia, transparência pública e uso responsável da inteligência artificial. No transporte rodoviário interestadual, em que decisões operacionais e regulatórias têm impacto econômico relevante, a qualidade dos dados passa a ter valor estratégico. E em tempos de IA, um princípio torna-se cada vez mais fundamental: Decisões inteligentes dependem de dados confiáveis. Confira mais matérias na edição de junho da Revista ABRATI

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Saiu na mídia – Quando a inovação vira pretexto: o desvio de finalidade dos sandboxes regulatórios

Em artigo publicado na revista AutoBus, Leticia Pineschi Kitagawa aborda os desafios da concorrência no transporte rodoviário de passageiros e a importância da regulação para o equilíbrio e a sustentabilidade do setor. Confira a análise completa. A verdadeira inovação não teme regulação. Pelo contrário, busca caminhos para compatibilizar novos modelos de negócio com as responsabilidades inerentes ao setor em que pretende atuar  Por Letícia Pineschi, diretora-geral da Abrati   Ao longo da história, bons conceitos foram frequentemente apropriados para justificar más práticas. A sustentabilidade passou a ser utilizada como ferramenta de marketing para empresas sem qualquer compromisso ambiental efetivo. A responsabilidade social transformou-se, em alguns casos, em mera peça publicitária. Da mesma forma, conceitos jurídicos e regulatórios concebidos para estimular a inovação podem ser convertidos em instrumentos de flexibilização indevida de regras e obrigações. É nesse contexto que merece reflexão a crescente utilização do termo “sandbox regulatório” em propostas legislativas destinadas a setores já regulados e consolidados como o PL 534/2024. Esse projeto institui o marco legal dos serviços autônomos por aplicativos. Uma proposta de autoria da Deputada Federal Júlia Zanatta (PL/SC) estabelece princípios e diretrizes para essa modalidade de prestação de serviço, além de trazer alterações ao Código de Trânsito Brasileiro. Os artigos 1º e 3º propõem um sandbox regulatório para serviços de transporte aplicativos, estabelecendo condições simplificadas e regras próprias que se sobrepõem à legislação trabalhista tradicional. A proposta visa blindar modelos de negócios de plataformas, permitindo experimentação comercial com critérios de conformidade exclusivos definidos na própria norma. O sandbox regulatório surgiu como um ambiente controlado de experimentação. Sua finalidade original é permitir que empresas desenvolvam modelos inovadores ainda não contemplados pela regulação existente, sob supervisão do órgão regulador, por prazo determinado e com critérios claros de avaliação. Trata-se de um mecanismo temporário, excepcional e condicionado, cuja essência está na transição entre a inovação e a futura conformidade regulatória. Em sua concepção legítima, o sandbox não representa uma dispensa da regulação. Ao contrário, ele pressupõe a existência de um regulador ativo, de regras de entrada e saída e, principalmente, do compromisso do participante em alcançar a plena regularização ao final do período de testes. O problema surge quando esse conceito passa a ser utilizado para permitir a entrada de agentes econômicos que não apresentam inovação relevante, não aceitam os custos inerentes à atividade regulada e tampouco demonstram intenção de cumprir futuramente as mesmas exigências impostas aos demais participantes do mercado. Nesse cenário, o sandbox deixa de ser instrumento de inovação e passa a funcionar como mecanismo de competição assimétrica. Empresas sujeitas a obrigações regulatórias, fiscais, trabalhistas, de segurança operacional e de proteção ao consumidor passam a competir com agentes dispensados dessas mesmas responsabilidades. Não se cria inovação; cria-se uma apropriação indevida do instrumento para a promoção do desequilíbrio. Do ponto de vista jurídico, essa situação pode ser compreendida como um caso clássico de desvio de finalidade. A ferramenta continua existindo formalmente, mas seu propósito original e espíritos são esvaziados. Na retórica, esse fenômeno pode ser interpretado como uma falácia de redefinição. Mantém-se a nomenclatura original “sandbox regulatório” enquanto se altera substancialmente o significado prático do instrumento. O termo conserva sua reputação positiva associada à inovação e ao desenvolvimento tecnológico, mas passa a servir para justificar situações que nada têm de experimentais ou inovadoras. A regulação existe porque determinadas atividades envolvem interesses públicos relevantes, como segurança, continuidade dos serviços, proteção dos consumidores, equilíbrio concorrencial, responsabilidade econômica e tributária. Quando alguns agentes são autorizados a operar sem observar essas obrigações, cria-se uma transferência injusta de riscos para usuários, consumidores, trabalhadores do sistema e para os próprios operadores regulares. A verdadeira inovação não teme a regulação. Pelo contrário, busca caminhos para compatibilizar novos modelos de negócio com as responsabilidades inerentes ao setor em que pretende atuar. O empreendedor inovador procura construir pontes com o regulador; o oportunista busca atalhos para evadir-se. Por essa razão, toda proposta legislativa que invoque mecanismos de experimentação regulatória deve ser analisada não apenas pela terminologia que utiliza, mas pelos incentivos que efetivamente cria. A pergunta central não é se a proposta menciona um sandbox. A pergunta relevante é outra: existe um compromisso real de transição para a conformidade regulatória ou apenas uma autorização temporária para operar sem as obrigações exigidas dos demais? A qualidade das instituições depende justamente da capacidade de distinguir inovação genuína de desregulação oportunista. Confundir esses dois fenômenos pode parecer um detalhe técnico. Na prática, porém, representa a diferença entre modernizar um mercado e enfraquecer os fundamentos que garantem sua estabilidade, sua segurança e sua concorrência leal. O sandbox regulatório é um ambiente experimental criado para que empresas, especialmente startups e fintechs, possam testar produtos, serviços ou modelos de negócio inovadores em condições reais de mercado, mas com regras regulatórias adaptadas e monitoramento do órgão regulador responsável. O objetivo é estimular a inovação, a diversidade de modelos de negócio, a concorrência e a inclusão financeira, garantindo a segurança do sistema financeiro e a proteção do consumidor. Clique aqui para ver artigo

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