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Missão Internacional do Transporte Brasileiro, na Espanha, reforça inovação e presença global do setor

A Missão Internacional do Transporte Brasileiro, que aconteceu de 27 a 30 de abril, em Barcelona, reuniu lideranças de diversos segmentos dos transportes, autoridades regulatórias, representantes do Judiciário e executivos, numa agenda liderada pelo Sistema Transporte e com participação de associados da ABRATI. O objetivo central foi ampliar a interlocução internacional do setor, conhecer práticas consolidadas de mobilidade, estimular novas oportunidades de cooperação e uma imersão acadêmica voltada à inovação. A programação acadêmica foi realizada no IESE Business School, com foco em liderança, inovação e gestão em ambientes complexos. A delegação participou ainda de visitas técnicas à Área Metropolitana de Barcelona, à Transports Metropolitans de Barcelona, a uma operadora logística e ao Porto de Barcelona, aprofundando o conhecimento sobre integração modal, eficiência operacional e governança em sistemas de transporte de referência global. A experiência fortaleceu a visibilidade estratégica do transporte brasileiro ao aproximá-lo de padrões internacionais e ampliar sua capacidade de benchmarking e articulação institucional. A missão permitiu ao Sistema Transporte compreender soluções aplicadas em mercados maduros e identificar caminhos para aprimorar políticas, projetos e modelos de gestão no Brasil. A expectativa agora é transformar o aprendizado em iniciativas práticas que contribuam para um setor mais eficiente, moderno e competitivo no cenário internacional. Leia mais matérias na News/107:

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COMUNICADO SUPAS Nº 42 – JANELA EXTRAORDINÁRIA

A Superintendência de Serviços de Transporte Rodoviário de Passageiros – SUPAS, no uso de suas atribuições, e em prosseguimento às etapas da Janela Extraordinária no 01/2024, instituída nos termos da Resolução ANTT no 6.033/2023 e do Comunicado de Abertura de Janela Extraordinária no 01/2024, informa que: Em razão dos deferimentos de pedidos de regularização administrativa realizados com fundamento na Deliberação ANTT no 470, de 4 de dezembro de 2025, tornou-se necessária a atualização e o reprocessamento das informações constantes da base de dados do Sistema de Processo Seletivo. As referidas regularizações administrativas ocasionaram alterações no status de determinados mercados originalmente disponibilizados na Janela Extraordinária no 01/2024, impactando, consequentemente, parte das solicitações registradas pelas transportadoras participantes do procedimento. Dessa forma, a ANTT promoverá o reprocessamento das solicitações efetuadas no âmbito da Janela Extraordinária no 01/2024, com vistas à adequação da base de dados à situação regulatória atual dos mercados, assegurando a consistência, integridade e isonomia das informações utilizadas nas etapas subsequentes do processo seletivo. (grifo nosso) Em decorrência do referido reprocessamento, deverão ser desconsideradas as planilhas, relações de mercados e demais informações publicadas no âmbito do COMUNICADO SUPAS No 41, DE 24 DE ABRIL DE 2026, bem como as convocações individualmente realizadas às transportadoras com fundamento nos dados anteriormente divulgados. As novas planilhas e informações atualizadas, já contemplando o reprocessamento sistêmico decorrente das regularizações administrativas, serão publicadas em 15 de junho de 2026 no site da ANTT. (grifo nosso) Ressalta-se que o referido reprocessamento decorre exclusivamente da necessidade de atualização sistêmica em razão das alterações supervenientes ocasionadas pelos deferimentos de  regularização administrativa, não implicando reabertura de prazo para apresentação de novas solicitações de mercados. As transportadoras deverão acompanhar as comunicações e atualizações relativas ao procedimento por meio dos canais oficiais da ANTT e do Sistema Eletrônico de Informações – SEI. JULIANO DE BARROS SAMÔR Superintendente de Serviços de Transporte Rodoviário de Passageiros

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TRF1 confirma exigência de circuito fechado no fretamento e reforça regulação do transporte rodoviário

Imagem de divulgação O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) confirmou, em julgamento realizado no último dia 5 de maio, a validade da exigência de circuito fechado nas operações de transporte coletivo interestadual por fretamento, prevista na Resolução nº 4.777/2015 da ANTT. A decisão foi tomada na Apelação Cível nº 1119222-56.2023.4.01.3400, movida pela ABRAFREC, entidade ligada a interesses de plataformas digitais de intermediação de viagens, que questionava uma das principais regras de controle operacional do transporte por fretamento no país. Para o setor de transporte rodoviário regular, o entendimento do TRF1 representa um importante reforço à segurança jurídica, à previsibilidade regulatória e ao equilíbrio concorrencial no segmento. Ao manter a exigência do circuito fechado, a Corte reconhece a importância da rastreabilidade das viagens, da fiscalização contínua e da responsabilização clara das operações de transporte coletivo interestadual. Segundo a diretora executiva da ABRATI, Letícia Pineschi, a discussão vai além dos modelos digitais de venda de passagens. “O passageiro vê o aplicativo, o preço e a facilidade da compra. Mas a segurança no transporte coletivo depende de toda uma estrutura que funciona nos bastidores: manutenção preventiva, controle de jornada, telemetria, rastreamento operacional, treinamento de motoristas, compliance e fiscalização permanente”, afirma. Representantes do setor alertam para o avanço de modelos de operação marcados por forte assimetria regulatória, em que empresas submetidas a rígidos padrões de segurança, tributação e controle acabam competindo com operadores que não seguem as mesmas exigências. Para a ABRATI, inovação e tecnologia são fundamentais para a evolução da mobilidade no país, mas a transformação digital não pode ocorrer à custa da flexibilização de regras mínimas de segurança, governança e responsabilidade operacional. No voto que prevaleceu no julgamento, o desembargador federal Pablo Zuniga destacou que a regulamentação da ANTT foi precedida de amplo debate público e alertou que a flexibilização do circuito fechado poderia gerar concorrência desleal e comprometer o equilíbrio do sistema regular, especialmente em linhas menos rentáveis e serviços essenciais. A decisão do TRF1 reforça o entendimento de que o transporte coletivo interestadual é uma atividade de infraestrutura crítica, que exige responsabilidade permanente, previsibilidade regulatória, segurança operacional e compromisso contínuo com a proteção dos passageiros.

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Lideranças do setor de transporte reúnem-se com o TCU para tratar da sustentabilidade econômico-financeira das operações

Representantes das principais entidades do transporte público de passageiros no Brasil reuniram-se com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo, para apresentar as dificuldades crescentes que ameaçam a sustentabilidade das operações em todo o país. O encontro buscou sensibilizar a Corte sobre a urgência de estruturar novas fontes de custeio, capazes de garantir o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos sem repassar custos adicionais ao cidadão. A demanda do setor ocorre em um contexto de fiscalização ampliada do TCU sobre as agências reguladoras e sobre a sustentabilidade dos serviços públicos essenciais. Nos últimos ciclos de auditoria, o Tribunal tem apontado fragilidades estruturais, orçamentárias e regulatórias que afetam a capacidade de planejamento e de prestação de serviços, cenário que também se reflete no transporte público de passageiros, especialmente diante do aumento contínuo dos custos operacionais e da limitação das tarifas como única fonte de receita. Durante a audiência, as entidades enfatizaram que o modelo vigente já não oferece condições para manter a qualidade, a previsibilidade e a segurança do sistema. As empresas relatam que não há mais margem para absorver variações de custos, especialmente combustíveis, manutenção, mão de obra e obrigações regulatórias, o que expõe diversas regiões do país ao risco de descontinuidade do serviço. O setor reforçou a defesa de mecanismos estáveis de financiamento que permitam a manutenção de tarifas módicas, especialmente para a população de baixa renda, preservando a sustentabilidade operacional e a competitividade do transporte público. Segundo Rubens Lessa Carvalho, presidente da FETRAM e da Seção I de Transporte de Passageiros da CNT, a atuação do TCU é decisiva para dar segurança jurídica e previsibilidade institucional às alternativas de financiamento. “O transporte público vive um momento crítico. Não há como exigir investimentos e qualidade na prestação dos serviços sem uma fonte de recursos clara e estável que não seja apenas o valor pago pelo passageiro. Viemos ao TCU para buscar caminhos que garantam o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos, assegurando que o sistema sobreviva de forma eficiente e com preços justos para a sociedade.” A comitiva do setor foi composta por lideranças nacionais: Vander Costa, presidente do Sistema Transporte (CNT/SEST/SENAT); Rubens Lessa Carvalho, presidente da FETRAM e da Seção I de Transporte de Passageiros da CNT; Francisco Christovam, presidente Executivo da NTU; Edmundo Pinheiro, presidente do Conselho Diretor da NTU; Marcos Bicalho, diretor da NTU; Jorge Bastos diretor presidente da INFRA S.A. e Paulo Porto Lima, presidente do Conselho Deliberativo da ABRATI; que reforçou – “É essencial reconhecermos que a sustentabilidade das operações de transporte de passageiros depende de um modelo de financiamento moderno, estável e aderente às melhores práticas internacionais. O setor está disposto a contribuir tecnicamente para a construção de soluções que garantam previsibilidade regulatória, eficiência econômica e serviços acessíveis para toda a população.” As entidades reforçaram que o fortalecimento do transporte público depende de um novo arranjo institucional de financiamento, alinhado às melhores práticas internacionais e aderente às diretrizes de transparência e eficiência que têm guiado o controle externo no país.

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Primeira empresa rodoviária do Brasil, a Auto Viação Catarinense completa 98 anos

Próxima de completar um século de história, a Auto Viação Catarinense chega aos 98 anos como uma das pioneiras do transporte rodoviário de passageiros no Brasil. Fundada em 13 de abril de 1928, em Blumenau (SC), a empresa tem trajetória diretamente ligada ao desenvolvimento econômico e social de Santa Catarina, conectando o estado ao Paraná, Rio Grande do Sul e demais regiões do país. A primeira linha, entre Blumenau e Florianópolis, segue em operação até hoje e é reconhecida como a mais antiga do Brasil ainda ativa. Desde 1995 sob gestão do Grupo JCA, a empresa vem ampliando sua atuação com investimentos contínuos em inovação, eficiência e modernização da frota, incluindo ônibus com tecnologia Euro 6, que oferecem viagens com conforto e segurança. “A nossa história começa antes mesmo de o transporte rodoviário ser uma realidade no Brasil. Desde o início, a Auto Viação Catarinense nasceu com o propósito de conectar pessoas e transformar a mobilidade. Ao longo de 98 anos, seguimos apoiando o turismo e facilitando o deslocamento de milhões de passageiros, agora com ainda mais tecnologia, segurança e responsabilidade ambiental”, afirma Anuar Helayel, diretor da Unidade de Transporte de Passageiros do Grupo JCA. Leia mais matérias na News/106:

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Programa Motorista Top Ouro premia condutores da Águia Branca

A Viação Águia Branca premiou 542 motoristas na 26ª edição do Programa Motorista Top Ouro, encerrada em março, reconhecendo desempenho em segurança, eficiência e qualidade operacional ao longo de 2025. A iniciativa integra a estratégia de valorização de pessoas da companhia, que completa 80 anos de atuação. Entre os destaques, seis profissionais alcançaram o nível máximo, Motorista Diamante, enquanto outros dez foram reconhecidos pela condução econômica. Os critérios incluem segurança, cumprimento de padrões operacionais, qualidade no atendimento e eficiência no consumo. As premiações ocorreram em cidades como Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Governador Valadares (MG), Colatina (ES) e Vitória da Conquista (BA). “Em um setor que depende diretamente da atuação dos motoristas, iniciativas como o Top Ouro valorizam a profissão, incentivam boas práticas e contribuem para a redução de riscos na operação. O reconhecimento também amplia a eficiência e reforça o compromisso da Águia Branca com a segurança dos passageiros”, afirma Renato Tozzi, diretor de Operações. Leia mais matérias na News/106:

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LAT.BUS 2026 dobra de tamanho e se consolida como principal hub de mobilidade

A Feira Latino-Americana do Transporte, a LAT.BUS 2026 acontece de 11 a 13 de agosto no São Paulo Expo e, nesta edição, praticamente dobra de tamanho. Com cerca de 35 mil m² de pavilhão e quase 45 mil m² considerando áreas externas, a feira pretende refletir a expansão do setor e a presença ampliada de fabricantes de chassis, carrocerias, componentes e soluções tecnológicas. A programação começa no dia 11, com coletiva e cerimônias oficiais de abertura da feira e do Seminário Nacional NTU, e nos dias seguintes, a agenda segue intensa, das 9h às 22h, com conteúdos técnicos, fóruns estratégicos e oportunidades de networking. Entre os destaques, a incorporação do evento Frotas Conectadas voltado à inovação e gestão de frotas, além de uma nova área dedicada à comercialização de ônibus seminovos, conectando operadores e compradores de diferentes segmentos, inclusive de outros países da América Latina. A feira também reúne entidades como Abrati, UITP e ANTP, além de fóruns de mobilidade urbana e transporte sustentável. O evento se consolida como plataforma estratégica para geração de negócios, atualização profissional e discussão de tendências. As inscrições estão abertas em: https://tshop.proevento.com.br/Cadastro.] Leia mais matérias na News/106:

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Mercedes-Benz lança pacote para rodoviários com foco em economia, segurança e gestão de frota

A Mercedes-Benz do Brasil anunciou no dia 16 de abril, uma atualização importante na linha de chassis rodoviários O 500 e no sistema de gestão de frotas FleetBus, mirando um ponto central para as empresas do setor: operar melhor, gastando menos. Na prática, as mudanças chegam em um momento em que o transporte rodoviário regular enfrenta pressão de custos, em especial com o diesel, e precisa ganhar eficiência sem perder qualidade de serviço. A nova configuração do O 500 Rodoviário se destaca ao permitir até 6% de economia de combustível, um impacto direto no caixa das empresas ao longo do mês. Os modelos O 500 RS, RSD e RSDD também evoluíram: as melhorias ajudam a tornar a condução mais suave para o motorista e aumentam a capacidade de carga do veículo. Em outras palavras, ônibus mais tempo rodando e menos tempo parados, o que significa mais produtividade. Outro ponto que ganha força é a segurança. Nos modelos mais potentes, de 450 cavalos, itens que antes eram opcionais passam a vir de série, como sistemas que ajudam a evitar colisões, manter o veículo na faixa e monitorar pontos cegos. Para empresas que operam médias e longas distâncias, isso representa não só mais proteção, mas também redução de riscos e custos com incidentes. Já o FleetBus reforça uma tendência que vem crescendo no setor: o uso de dados para gerir melhor a frota. Com cerca de 1.600 veículos conectados, o sistema permite acompanhar em tempo real como cada ônibus está rodando, identificar falhas e entender o comportamento dos motoristas, o que ajuda a economizar combustível, evitar quebras e planejar melhor a manutenção. Ao integrar essas soluções diretamente nos novos chassis, a Mercedes-Benz sinaliza um movimento claro do mercado: o diferencial competitivo das empresas rodoviárias passa cada vez mais pela gestão eficiente, pela tecnologia embarcada e pela capacidade de tomar decisão com base em dados e não somente pela operação em si. Leia mais matérias na News/106:

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O setor de transporte de passageiros no Brasil passou por transformações profundas nas últimas cinco décadas, acompanhando mudanças econômicas, tecnológicas, sociais, demográficas e regulatórias. Este registro que faço por ocasião de minha retirada da cena transportista, busca apresentar os principais aspectos temporais, estruturais e operacionais que moldaram o transporte coletivo de passageiros no país desde meados da década de 1980 até os dias atuais. O início da minha atividade profissional foi despretensioso, quase casual. Não havia grandes planos, metas bem definidas ou a sensação de estar começando algo importante. Era apenas uma oportunidade aceita mais pela necessidade do que por vocação, um primeiro passo dado sem muita consciência do caminho que se abriria adiante. Nos primeiros dias, tudo parecia previsível: tarefas repetitivas, aprendizado básico e a insegurança típica de quem ainda observa mais do que age. Assim foi minha chegada ao TRIP, pela Viação Itapemirim, no início dos anos 1970, quando já cursava a Faculdade de Direito. Com o tempo, porém, vieram as surpresas. Pequenas responsabilidades se transformaram em desafios reais, e situações inesperadas exigiram decisões rápidas, criatividade e coragem. Pessoas que antes eram apenas colegas tornaram-se referências, mentores, subordinados e até amigos. Descobri habilidades que não sabia possuir e interesses que jamais havia considerado. O que começou quase por acaso passou a fazer sentido, moldando não só minha trajetória profissional, mas também minha forma de ver o trabalho e a mim mesmo. Hoje, ao olhar para trás, percebo que aquele começo simples foi essencial. Foi justamente a falta de expectativas que abriu espaço para o aprendizado genuíno e para as surpresas que deram significado à experiência. O que parecia apenas um início qualquer acabou se tornando um ponto de virada. Desse período devo reconhecer e agradecer dirigentes e companheiros do Grupo Itapemirim, maior escola que tive, mesmo tendo frequentado bons institutos de ensino. Ao longo da trajetória profissional, a evolução da carreira foi marcada por aprendizado contínuo, adaptação a novos desafios e desenvolvimento progressivo de competências técnicas e comportamentais. O início da carreira foi caracterizado pela busca de conhecimento prático, compreensão dos processos organizacionais e construção de uma base sólida de responsabilidade, ética e comprometimento com resultados. Nos primeiros anos, as experiências estiveram voltadas principalmente à execução de tarefas operacionais, permitindo o domínio das rotinas da função e o desenvolvimento de habilidades fundamentais, como organização, comunicação, trabalho em equipe e resolução de problemas. Esse período foi essencial para compreender a importância da qualidade, do cumprimento de prazos e do alinhamento com os objetivos da organização. Foi também o de saber aproveitar as oportunidades que, por mais desafiadoras, nunca as reneguei. Com o passar do tempo, surgiram espaços para assumir maiores responsabilidades, participar de projetos mais complexos e contribuir de forma mais estratégica. Essa fase foi marcada pelo aprimoramento técnico, pela busca de capacitação profissional e pelo fortalecimento da autonomia na tomada de decisões. A vivência em diferentes contextos e desafios possibilitou uma visão mais ampla dos negócios e maior capacidade de análise crítica. O intercâmbio com congêneres nacionais e estrangeiras foi muito importante para atingir a visão globalizada do segmento, com suas virtudes e mazelas. A maturidade profissional trouxe também o desenvolvimento de competências comportamentais, como liderança, proatividade, representatividade, flexibilidade e gestão de pessoas ou processos, quando aplicável. A atuação passou a ser orientada não apenas pela execução, mas também pela melhoria contínua, inovação e colaboração com colegas e gestores, visando resultados sustentáveis e alinhados às metas organizacionais, além da intensa interação setorial onde se alcança a visão holística do que se tem como foco. A Direção de Entidades de Classe em distintas atividades econômicas me possibilitou ampliar o leque de conhecimento, atuação e coordenação administrativa, política e institucional, na representação dos interesses da categoria profissional, fatores que contribuíram muito na minha chegada à Direção Geral da Abrati, onde passei mais de duas décadas aprendendo e contribuindo com o setor de transporte no Brasil, além de participar também de organismos nacionais e internacionais que tratam dos temas de transporte no seu todo. O setor de transporte de passageiros no Brasil passou por transformações profundas nas últimas cinco décadas, acompanhando mudanças políticas, econômicas, tecnológicas, sociais, demográficas e regulatórias. Este registro que faço por ocasião de minha retirada da cena transportista, busca destacar alguns aspectos que penso ainda chegarão ao setor do transporte público em médio espaço de tempo, onde o modelo atual deverá evoluir para algo diferente, mais fluido e a ser ditado pelos anseios dos usuários, como aliás mudou de maneira expressiva desde o início dos anos 1970, quando iniciei na atividade e o atual estágio, então inimaginável. Isso também vai decorrer pelo próprio processo evolutivo dos gestores públicos e privados dos transportes, pela razão maior de sua natureza móvel, por óbvio antiestática. Nesses 50 anos todos os processos que envolvem o setor sofreram mudanças para melhor, daí não destaco nenhum deles como mais ou menos importante, mas todos em igualdade de relevância no contexto geral. Finalizo com uma queixa que vivenciei rotineiramente nos contatos com o setor público do transporte, onde são criados os processos de políticas, gestão e o que deveria ser a defesa inafastável do interesse dos usuários e onde exatamente isso deixa a desejar, ora por inação, ora por tolerância com o ilegal, ora por omissão mesmo e isso que afirmo está refletido nos níveis de ilegalidades que são praticadas no transporte regular de passageiros do Brasil, quando esse segmento que é essencial e indispensável a, pelo menos 75% da população e isso é a eles negado pelos gestores públicos, em que pese os esforços feitos pelos transportadores privados. De toda forma me resta dizer OBRIGADO POR FAZER PARTE DESSA HISTÓRIA. ==  José Luiz Santolin   ==

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O transporte rodoviário de passageiros em 2026: desafios, respostas e o papel da Abrati

Em conversa exclusiva, o presidente da Abrati faz um diagnóstico do setor para 2026, fala sobre prioridades estratégicas, inovação, regulação e a importância da mobilização organizada da indústria. Paulo Alencar Porto Lima é advogado e está à frente da entidade desde junho de 2022. Sua gestão tem sido marcada pela defesa institucional do setor rodoviário regular, com foco em segurança jurídica, modernização regulatória e valorização do modal. 1) Como o Sr. avalia o momento atual do transporte rodoviário de passageiros no Brasil neste início de 2026? Vejo um setor consistente e resistente, que vem se adaptando a desafios imensos, desde questões regulatórias até mudanças culturais e sociais. Os passageiros estão mais exigentes, embora sempre muito sensíveis a preço. Estamos vivendo um momento de transição regulatória e de maturidade competitiva. A concorrência, tanto regular quanto irregular, pressiona a necessidade de previsibilidade, eficiência operacional, inovação e fiscalização. 2) Quais são hoje os principais desafios enfrentados pelas empresas do setor – regulatórios, econômicos e operacionais? Eu resumiria em três grandes blocos. No campo regulatório e concorrencial, o principal ponto é a segurança jurídica para o operador regular e a isonomia de regras, sobretudo frente à informalidade, à clandestinidade e a modelos que tentam contornar o regime autorizado. Esse é um ponto recorrente do debate setorial. No aspecto econômico, enfrentamos juros elevados, custo de capital e pressão de insumos como combustível, pneus, peças, seguro, além de taxas e impostos que oneram um serviço cuja tarifa tem limites de elasticidade para o bolso do consumidor. Já no plano operacional, lidamos com infraestrutura rodoviária desigual, segurança viária, disponibilidade de mão de obra qualificada e necessidade de padronização de qualidade em uma frota cada vez mais ecológica, porque a sustentabilidade precisa caminhar de mãos dadas com a performance do equipamento. 3) A Abrati tem reforçado a importância da modernização do ambiente regulatório. Quais avanços são prioritários neste momento? Em nosso setor, a modernização precisa estar acompanhada de previsibilidade, transparência e foco no passageiro, sem perder a lógica de equilíbrio econômico-operacional do sistema. Neste momento, considero prioritária a consolidação e aplicação uniforme do novo marco regulatório do TRIP, com regras claras de sanções, medidas administrativas e proteção ao usuário, sem interferência judicial na atividade da ANTT. No entanto, é fundamental a fiscalização efetiva contra operações irregulares, à exemplo do clandestino e dos “atalhos” regulatórios, porque isso afeta segurança, arrecadação e a concorrência leal. Além disso, acredito que precisamos avançar em digitalização e dados: processos mais ágeis, integração de informações e uso inteligente de bases de monitoramento para orientar política pública e controle. 4) O custo da operação segue sendo uma preocupação. Que fatores mais pressionam o setor hoje e que caminhos podem ajudar a equilibrar essa conta? Os maiores vetores de pressão hoje são combustível, manutenção da frota, custo financeiro, principalmente para renovação e modernização. Também vale destacar, é claro, a qualificação da mão de obra, que anda escassa e requer muita capacitação. Em relação aos caminhos posso destacar a busca por eficiência operacional, com uso de telemetria, roteirização, manutenção preditiva e redução de ociosidade. Mas isso também passa por um ambiente jurídico estável, que incentive investimento de longo prazo, e por financiamento adequado para uma frota mais eficiente e segura, inclusive dentro da agenda de descarbonização, com linhas que façam sentido para o ciclo de vida do ônibus. O combate à informalidade é essencial nesse contexto já que ela distorce preços e puxa o mercado para baixo com risco mais alto. E precisamos investir na formação de profissionais, garantindo a continuidade do futuro do transporte. 5) A inovação tem ganhado espaço. Como o senhor vê a incorporação de novas tecnologias na operação e na relação com os passageiros? Eu vejo como extremamente positiva desde que venha com responsabilidade, não acrescente custos e tenha foco em segurança. Hoje, a tecnologia melhora a segurança, com monitoramento, telemetria, apoio à condução e gestão de fadiga; melhora a confiabilidade com pontualidade, comunicação com o passageiro e gestão de incidentes e melhora a experiência com Wi-Fi, entretenimento, assentos melhores, informação em tempo real e canais digitais. E há um ponto central importante: inovação não é só aplicativo. É processo, é governança, é padrão operacional. 6) A conectividade e a digitalização mudaram o perfil do passageiro. Como o setor tem se adaptado? O passageiro virou “multicanal”: ele pesquisa, compara, compra no digital e cobra atendimento rápido como padrão. O setor tem respondido com venda digital robusta, considerando as opções de compra pelo website e aplicativos, além do autoatendimento e da integração com pontos físicos. Também destaco, nesse cenário, a evolução da comunicação em tempo real sobre informações de embarque, atrasos, remarcação e pós-venda. Tudo isso alinhado à regras mais claras ao consumidor para reduzir atrito e judicialização, alinhadas ao marco regulatório que reforça direitos e previsibilidade. 7) O transporte rodoviário é fundamental para integrar o país e atender cidades fora dos grandes centros. Como a Abrati reforça esse papel? A associação tem reforçado esse papel de duas formas: narrativa e evidência. Na narrativa, lembrando que o ônibus é o modal que conecta o Brasil real, chegando onde outros modais não chegam com a mesma capilaridade. Na evidência, defendendo políticas que sustentem rede, frequência, segurança e qualidade, sem destruir o equilíbrio econômico do sistema. Além disso, atuamos para que a regulação e a fiscalização protejam quem de fato entrega serviço público regular e contínuo, especialmente em rotas essenciais para o interior. 8) Por que a união das empresas é ainda mais importante neste momento? Porque o desafio atual é sistêmico. Uma situação que envolve regulação, concorrência, infraestrutura, custo Brasil e mudança de comportamento do consumidor. Se cada empresa tratar isso isoladamente, perde força. A união dá consistência técnica para dialogar com o poder público e o regulador, capacidade de construir consenso em pautas estruturantes e força institucional para defender a isonomia e o passageiro. 9) Olhando para 2026, quais são as prioridades da Abrati junto ao poder público? Em 2026, eu colocaria como prioridades a implementação qualificada do marco regulatório, com segurança jurídica

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